Arte, cultura e saúde mental marcam roda de conversa na Uniso
Encontro integrou a programação da Semana de Terapia Ocupacional, realizada entre os dias 25 e 27 de maio, no campus cidade universitária Professor Aldo Vannucchi
Por Nathalia Araújo (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Foto por Nathalia Araújo
A relação entre arte, cultura e saúde mental foi um dos principais temas discutidos durante a roda de conversa “Experiências contra os processos de segregação: campo arte e cultura”, realizada na noite de 26 de maio, na Universidade de Sorocaba (Uniso).
Mediada pelas professoras Maria Fernanda dos Santos e Soraya Diniz Rosa, a roda de conversa reuniu trabalhadores da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), profissionais da assistência social e estudantes para discutir experiências construídas no enfrentamento aos processos de segregação social por meio da arte e da cultura. O encontro promoveu reflexões sobre os atravessamentos entre saúde mental, exclusão, território, vulnerabilidade social e pertencimento, aproximando os participantes de vivências desenvolvidas diretamente nos serviços públicos de cuidado.
Ao longo da noite, os convidados compartilharam relatos de experiências realizadas em CAPS e projetos sociais voltados à população em situação de rua, apresentando práticas que utilizam teatro, dança, música, pintura, canto coral e exposições artísticas como instrumentos de cuidado e inclusão. As falas também abordaram os desafios enfrentados dentro dos próprios serviços, especialmente em contextos marcados pelo estigma e pela marginalização de usuários da saúde mental.
Entre os relatos apresentados, a terapeuta ocupacional Naara Ramos destacou uma exposição artística construída em parceria com usuários dos serviços de saúde mental e refletiu sobre o impacto de ocupar espaços públicos com essas produções. Segundo ela, a experiência provocou estranhamento, mas também abriu possibilidades de transformação no olhar da comunidade e dos próprios profissionais envolvidos. “Essas pessoas são capazes de produzir muitas outras coisas, e não apenas doença”, declarou ela.
Ao comentar a presença das obras em ambientes públicos, Naara também ressaltou a importância de enxergar os usuários para além dos diagnósticos e estigmas historicamente associados ao sofrimento psíquico. “Quando os usuários ocupam esse espaço e a comunidade olha para essa exposição, surge uma nova possibilidade de enxergar essas pessoas para além da doença.”
As experiências compartilhadas durante a roda de conversa mostraram como a arte e a cultura podem atuar como ferramentas de reconstrução de vínculos, fortalecimento da autonomia e criação de espaços de pertencimento. Mais do que apresentar projetos, o encontro evidenciou a Terapia Ocupacional como parte dos movimentos de luta contra os processos de segregação, propondo práticas de cuidado mais humanas, coletivas e sensíveis às realidades sociais atravessadas pelos usuários dos serviços públicos.

Foto por Nathalia Araújo

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