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Quadrinistas estreiam espaço na Bienal com recorde de visitantes

O maior evento do ano para a comunidade leitora abre oportunidades para o mercado literário tradicional e para os artistas na inauguração da Alameda dos Artistas este ano

Por Ana Torres (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

            Ao entrar no Expo Pavilhões naquela expectativa de poder aproveitar a Bienal, conseguir brindes, autógrafos, fotos com os influenciadores e principalmente achar promoções da listinha de livros que você separou, há aqueles autores que estão prontos para fisgar seu coração com novas histórias e universos que vai adicionar um ou dois livros na sua lista de prioridades misteriosamente.

            A 28º Bienal Internacional do Livro de São Paulo contou mais um ano com grandes editoras e convidados internacionais, como Leia Stone, Ana Huang, Lynn Painter e Alice Oseman. Dentre os grandes autores nacionais estiveram presentes Raphael Montes, Conceição Evaristo e Maidy Lacerda. Mas para além desse “elenco” formidável, havia diversos autores independentes andando pelos corredores lotados do evento para divulgar suas obras e editoras menores querendo mostrar seu catálogo.

            E não é por menos, este ano a Bienal teve seu recorde, 760 mil visitantes, com cinco dias de ingressos esgotados, sendo que três desses dias tiveram sold out semanas antes do evento começar. Além disso, os expositores registraram um aumento de 57% na média diária de faturamento em relação a Bienal de São Paulo de 2024. Comparando com dados externos, esses números seguem de acordo com o último Panorama do Consumo de Livros feito pela Câmara Brasileira de Livros, que apontou que o consumo de literatura (seja impresso ou digital) está em 4º lugar (18%) na procura dos brasileiros, o que significa um aumento de 3 milhões de consumidores de 2024 para 2025.

            Para toda a cadeia literária esses números são muito interessantes, para autores e editoras independentes, como também para os quadrinistas que ganharam um espaço no evento pela primeira vez. A Alameda dos Artistas foi um espaço com trinta mesas dedicadas aos quadrinistas e artistas selecionados pela curadoria de Ivan Costa, empresário na área de cultura e cofundador da CCXP.

De acordo com Robson Moura, 47 anos, professor, ilustrador e quadrinista, a Bienal foi uma experiência única, porque pode estar pela primeira vez em um evento dedicado à leitura, que diferente dos eventos de cultura geek, não tem que competir com outras atrações, visto que todo o público está ali por um motivo: livros. “Eu estou observando aqui é que tem gente com mala que vem por causa do livro físico […] Então para mim está sendo muito interessante porque tem quadrinhos meus que simplesmente esgotaram, e eu tenho certeza que é por conta do evento.”

Quadrinista Robson Moura, autor de Black Friday e Pérolas Brancas, autografando na Alameda dos Artistas

Germana, 53 anos, quadrinista partilha do mesmo pensamento que Robson, mas acrescenta que mesmo que o evento seja para leitores, um novo público teve contato com os quadrinhos, fora daquele imaginário de histórias infantis. “A gente está chegando a um público que não lê quadrinhos, mas que gosta de ler, não importa se livro ou quadrinhos.”

Somado a isso Germana pontua que fazer parte do evento é uma divulgação que atravessa bolhas, que nas redes sociais demandam dinheiro, algoritmos e que por vezes vai contra as ideologias das plataformas, o que acaba não refletindo a potência da categoria. “Nós estamos conseguindo apresentar o nosso trabalho e muitas pessoas vão sair daqui sabendo que tem a gente, e que tem muito mais! E que o Brasil é tão rico quanto o Japão, no sentido de contar histórias para todos os tipos de gênero literário e para todo tipo de idade, e tão chiques quanto a Bélgica, mas muito melhor porque a gente não é colonialista.”

Quadrinista Germana, autora de Gibi de Menininha e Razão e Sensibilidade em quadrinhos

Mário César, 44 anos, quadrinista e idealizador da Poc Con, comenta como a abertura para a classe é um reconhecimento que pode aproximar os autores de seus leitores. “Estão finalmente entendendo que o quadrinho é uma parte muito importante do mercado editorial aqui no Brasil, por anos era o setor que mais crescia de venda em livrarias, em lojas e tudo mais. Finalmente estão começando a abrir esse espaço para a gente, porque é muito legal, o quadrinho é muito gostoso. É legal vir aqui para um evento como esse, que é um público um pouco mais direcionado, sabe?”

Arquivo pessoal| Eduarda Lopes

Quadrinista Mário César, autor de Bendita Cura e Votos Vencidos

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