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Palestra sobre saberes afro-indígenas abre 37º Semana de Letras da Uniso

Por Ana Carolina Figueiredo (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

A 37ª edição da Semana de Letras da Universidade de Sorocaba (Uniso) começou nesta segunda-feira (5), no auditório do Bloco C da cidade universitária Professor Aldo Vannucchi, com uma palestra sobre saberes afro-indígenas e quilombolas, seguida de bate-papo com os estudantes e debate sobre um documentário.

Os palestrantes Patrícia Ducatti e Emídio Bahia compartilharam experiências vividas em sala de aula e explicaram como procuram inserir as matrizes afro-brasileiras e indígenas na formação dos estudantes, contribuindo para uma compreensão mais ampla da história e da cultura do país. Entre as estratégias apresentadas estão o uso de obras literárias e o desenvolvimento de projetos que mantenham essas discussões presentes ao longo do ano, sem restringi-las a datas específicas, como o Dia da Consciência Negra.

Durante a conversa, os professores apresentaram situações vividas no cotidiano escolar para mostrar como essas discussões aparecem de forma concreta entre os alunos. Emídio Bahia contou que passou a se aprofundar nas temáticas negra e indígena depois de perceber falas racistas entre estudantes e afirmou que trabalhar essas questões se tornou, para ele, um dever ético do professor.

Patrícia Ducatti também destacou a importância de fazer com que a literatura afro-brasileira e indígena faça parte da rotina escolar, e não apenas de atividades pontuais. Segundo ela, esse trabalho precisa ser incorporado aos projetos e às leituras desenvolvidas ao longo do ano.

A professora citou obras como Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, e Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus, utilizadas em sala de aula para discutir temas como escravidão, racismo, memória, desigualdade e representatividade com os estudantes.

Outro ponto debatido foi o papel do professor na mediação dessas questões. Patrícia defendeu que o educador precisa assumir uma postura ativa diante de situações de preconceito e buscar formas de ampliar o repertório dos alunos. “Para mim, o professor é a centelha. Se a gente apagar, isso morre com a gente”, afirmou.

Após a palestra, Patrícia também falou sobre a importância desse tipo de encontro para estudantes que ainda estão em formação. “Ontem era eu que estava daquele lado ali, escutando palestras também”, relembrou. Segundo ela, a transição da universidade para a prática profissional pode trazer inseguranças e desafios que nem sempre aparecem durante a graduação. “Quando eu fui para a escola, me entregaram um diário de classe e falaram que tinha que preencher. Ninguém me ensinou, na faculdade eu não tinha”, contou. A Semana de Letras será encerrada nesta quinta-feira (8), no auditório do Bloco C, com a realização do XXII Sarau Literomusical, que nesta edição destaca os 70 anos de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.

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