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Como se faz notícia em Sorocaba: desafios e transformações do jornalismo local 

Reportagem mostra como profissionais de rádio, TV, digital e impresso lidam com velocidade, checagem e desinformação no cotidiano da notícia em Sorocaba.

Por Alana Portela, Audryn Ferreira, Julia Lessa e Kauã Rocha (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Reprodução

O jornalismo em Sorocaba vive um cenário de constantes transformações impulsionadas pela velocidade da informação, pela multiplicação das plataformas digitais e pelo avanço da desinformação. Nesse contexto, profissionais da comunicação da cidade afirmam que o trabalho diário exige cada vez mais equilíbrio entre rapidez, relevância e responsabilidade na apuração dos fatos. 

A cidade, com sua dinâmica urbana e diversidade cultural, impõe desafios para quem transforma acontecimentos em notícia. O contato direto com fontes oficiais facilita parte da cobertura, mas a burocracia, o volume de informações e a necessidade constante de verificação tornam o processo mais complexo e exigem atenção contínua dos jornalistas.

Para entender como o jornalismo se reinventa na cidade, ouvimos profissionais de rádio, internet, televisão e impresso, que relatam suas rotinas, desafios e a busca constante por credibilidade em meio às mudanças da profissão.

No rádio, a agilidade e a proximidade com o público continuam sendo marcas fundamentais. O jornalista Caio César, 34, iniciou sua trajetória em 2015, após fazer um curso no Senac Sorocaba, e passou por rádios web e experiências no jornalismo esportivo até chegar à Cruzeiro FM. “Comecei a gravar e mostrar pros chefes”, até evoluir para atuar nos programas. “Fiz o caminho inverso, fui atrás da formação depois”, disse ele.

Caio César — “O rádio tem o poder de se reinventar”

Sobre a rotina em Sorocaba, ele afirma: “É um desafio diário entender como a cidade funciona”, destacando também a proximidade com órgãos públicos, mas apontando a burocracia como obstáculo. Na escolha das pautas, ele diz não haver uma regra fixa, “Se é relevante para a cidade ou está em alta, vira notícia.” 

A jornalista Rosana Pires, 66, atua há mais de 20 anos em Sorocaba e começou sua trajetória após migrar da área de Letras para o jornalismo, aos 31 anos. Formada pela Faculdade Cásper Líbero, ela iniciou como estagiária na Rádio Gazeta e define o começo da carreira como essencial para sua formação. “Comecei fazendo rádio escuta” e define a experiência como “um aprendizado maravilhoso.”

Ela destaca que o jornalismo mudou com o tempo: “Antes, a notícia demorava mais para ir ao ar. Hoje, tudo é muito rápido”. Para ela, o principal critério na seleção de pautas deve ser o interesse do público: “Tem que pensar como ouvinte: o que eu gostaria de ouvir?”

Rosana Pires — “Tudo que é de utilidade pública precisa ter prioridade”

O avanço da desinformação preocupa os veículos de comunicação. Entre 2024 e 2025, a divulgação de conteúdos falsos criados com inteligência artificial no Brasil mais do que triplicou, com aumento de 308%, segundo o Panorama da Desinformação no Brasil, do Observatório Lupa. O estudo aponta que os casos passaram de 39 para 159 no período analisado.

A pesquisa também mostra que a IA deixou de ser usada apenas em golpes digitais e passou a ter uso mais estratégico na desinformação política. Quase 45% dos conteúdos com IA, em 2025, tinham viés ideológico e mais de três quartos exploravam imagem ou voz de pessoas conhecidas, principalmente figuras políticas como Lula, Bolsonaro e Alexandre de Moraes. O WhatsApp, que antes era o principal meio de circulação, caiu de quase 90% para 46%, enquanto redes como TikTok, Instagram e Kwai ganharam relevância.

No jornalismo digital, a velocidade e a atualização constante são parte da rotina. A jornalista Alana Damasceno, 38, explica que o trabalho exige atenção permanente à checagem das informações. 

Segundo ela, o portal de notícias que trabalha com o modelo de hard news, publica  primeiro a informação inicial e atualiza com outras complementares conforme novos dados são confirmados, mas a regra principal é clara: “na dúvida, não publica.” 

Alana Damasceno – “A nova geração de jornalistas, eu acredito que tem que trabalhar muito. Você quer participar da onda dos portais de notícia? Traga sempre uma coisa nova, inventa, se arrisca”

A jornalista Vanessa Ferranti, 29, reforça que o principal desafio do jornalismo digital é a velocidade, “Eu acredito que a velocidade é um grande desafio e a gente não errar por conta dessa velocidade também. Então a grande preocupação tem que ser sempre com a checagem.”

Vanessa Ferranti – “A gente não pode esquecer do princípio fundamental do jornalismo, que é checar, confirmar certinho a informação para a gente não dar nada errado. E também não cair em fake news, em vídeos de inteligência artificial, a gente tem que ter muito cuidado”

Ela também alerta para o impacto das fake news e do uso de inteligência artificial: “Eu acho que o jornalista não tem que abominar essas coisas, mas sim saber usar essas plataformas.”, destacando que a diferença central está na apuração rigorosa e no contato com fontes oficiais.

Em meio à velocidade das redes sociais, o jornalismo de televisão ainda preserva um espaço de confiança no cotidiano, sustentado por uma construção histórica de credibilidade e por princípios éticos que orientam a apuração e a divulgação das notícias, como conta Nicole Bonnenti, 27, repórter do SBT. Segundo ela, é esse rigor que mantém a confiança do público, mesmo diante da informalidade de outras plataformas.

Nicole Bonnenti — “Eu acredito que o nosso papel é usar esse lugar com responsabilidade”

O repórter Mateus Machado, 22,  explica que o meio mudou com a internet: “a televisão hoje em dia deixou de ser o centro, ela é mais um braço da internet”, o desafio está em unir impacto visual, rapidez e precisão. 

Ele destaca a disputa pela atenção do público: “Eu tenho dez segundos para conseguir prender a atenção de quem está assistindo”. Mesmo com a pressão por velocidade, Mateus reforça a importância da checagem: “é o essencial.” 

Mateus Machado — “Jornalismo é você ouvir a história, dar ouvidos para quem precisa ser escutado”

A jornalista Jacqueline França destaca os desafios da rotina televisiva em Sorocaba: “Para nós, a dificuldade maior é conseguir alcançar tudo o que a gente precisa” e reforça o método de apuração, “O principal critério é esse: não se deixar levar por achismos.”, destacando a diferença entre TV e redes sociais no aprofundamento da informação.

Jacqueline França — “O principal critério é não se deixar levar por achismos”

No jornalismo impresso, o foco está na análise e no aprofundamento. O repórter João Frizzo, 22, destaca que o meio enfrenta mudanças no consumo de informação: “Isso mostra como o hábito de consumo da informação mudou” e reforça o rigor da apuração: “Sempre busco ouvir os diferentes lados envolvidos.”

João Frizzo

A jornalista Carolina Mendes resume o papel do impresso em meio ao excesso de informações, e afirma que ele não compete com o digital, mas atua de forma complementar.

Carolina Mendes — “O leitor busca alguém que organize, verifique e explique”

Em meio a mudanças tecnológicas, novas formas de consumo de informação e desafios constantes na apuração, o jornalismo em Sorocaba mostra que sua essência permanece. Seja no rádio, na televisão, no digital ou no impresso, o compromisso com a verdade, a responsabilidade na divulgação dos fatos e a busca por credibilidade seguem como pilares da profissão. Mais do que acompanhar transformações, o jornalismo se reinventa continuamente, sem perder sua função social de informar com responsabilidade. Valorizar quem faz jornalismo responsável é também fortalecer o acesso a informações confiáveis no dia a dia.

Quadro por Alana Portela

Para contribuir com essa reflexão, convidamos você, leitor, a participar do Projeto Integrador 2026, no qual os estudantes de jornalismo da Uniso irão apresentar seus projetos sobre a prática jornalística, contribuindo para ampliar o seu conhecimento sobre a profissão e seus diferentes campos de atuação. No dia do evento, também será distribuída uma cartilha informativa com orientações sobre o consumo de notícias e a importância do jornalismo responsável.

O material mostra como acompanhar as notícias por meio de fontes seguras e confiáveis, além de explicar, de forma clara e acessível, o que é jornalismo e qual a importância de consumir informação produzida por quem exerce a profissão com ética e compromisso.

Para baixar nossa cartilha explicativa em PDF, clique aqui: https://drive.google.com/file/d/1NQBno5cxA8Nbzt_x7QANdZn0cAZsN1IW/view?usp=sharing

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