Virei professor
“Você já pensou em ser professor? Você tem perfil”, me disse a professora de Gastronomia Silvia Garcia, em meados de 2017. Agradeci o conselho, mas pensei: “essa professora está viajando. Eu? Professor? Imagina.”
Mas tem coisas na vida que a gente nem imagina que podem acontecer, e cá estou, quase 10 anos depois, como professor.
Confesso que a ficha ainda não caiu totalmente, mas está aos poucos – talvez a ligação seja local (os mais velhos entenderão; aos mais novos, sugiro uma pesquisa no Google, garanto que vão se assustar/divertir).
Uma profissão que tanto admiro desde criança hoje faz parte da minha vida.
A primeira memória que me vem à mente quando penso nesses agentes de transformação social é a mão da minha primeira professora me auxiliando a escrever o alfabeto na lousa da Escola Professora Rosemary de Mello Moreira Pereira, quando o bairro Vitória Régia, em Sorocaba, ainda era “só mato”.
Nos dias de hoje, lembro de um corte que vi do professor Sérgio Cortella, no qual ele dizia algo do tipo: professor é um novo nome e fica para a vida toda. Ainda estranho algumas pessoas não me chamarem mais de “Rafa” e sim de professor. Esses dias não respondi pois achei que não era comigo. Talvez pareça arrogância, mas é somente falta de costume mesmo.
Os primeiros dias têm sido intensos. Preparar aula, pensar em provas e atividades, maneiras de tornar as aulas cada vez mais compreensíveis, abrir aula, fechar aula, fazer chamada, tirar dúvidas…
Cansativo? Sim, mas extremamente gratificante.
Não tem preço quando vejo nos rostos dos meus alunos caras de espanto, pois jamais tinham pensado daquela forma, ou de alegria por confirmarem o que imaginavam ou acertarem a resposta, mas, principalmente, as de alegria por eu ter falado algo que os fez se sentirem incluídos.
Já teve palmas e gritos em uma sala (me perdoem, professores vizinhos, estou começando, minha turma é muito feliz, e somos de comunicação), discussões sobre campanhas publicitárias polêmicas, deliciosos pratos na cozinha, dicas para controlar a ansiedade, perguntas provocantes do tipo: “qual o sentido de se estudar teorias da comunicação? Onde vou usar isso?”, apresentação de trabalhos sobre cultura (e as regionais e populares vieram em peso, para alegria do professor), e muito mais.
E já de cara tive o prazer de trabalhar ao lado de 11 alunos meus (de Gastronomia e Jornalismo) no TEDx Uniso, um evento para mais de 300 pessoas e com a presença de palestrantes famosíssimos como o Iberê Tenório do canal Manual do Mundo. Foi espetacular.
Serão momentos de aprendizados, compartilhamentos e muitos desafios.
Mas quando que foi fácil?
A alegria é muito boa.
Recomendo: estude bastante e se torne professor, vale muito a pena.


