Respeito, independência e saúde: conheça projeto que busca oferecer qualidade de vida e inclusão a jovens atípicos em Itapetininga
O serviço é realizado no Jardim Mesquita e oferece atendimento com valores sociais para as famílias dos pacientes
Por Pâmela Beker, Giovanni Guimarães e Thayana de Almeida (Agência Focas – Jornalismo Úniso)

Em Itapetininga, uma clínica realiza atendimento a adolescentes típicos e atípicos | Créditos: Arquivo pessoal/Isabelle Alcantara Lobo
Afinal, o que acontece na vida de uma pessoa atípica após o diagnóstico? Em muitos casos, no fim da infância, essa pessoa pode acabar se afastando das terapias, tornando-se reclusa da sociedade e passando por um momento difícil com o começo da adolescência.
Pensando em oferecer auxílio nesse momento de transição, em Itapetininga, no interior de São Paulo, duas especialistas da área da saúde desenvolveram um projeto que utiliza diversos métodos para trazer qualidade de vida aos adolescentes atípicos e também para os adolescentes típicos, que precisam de algum tipo de apoio no desenvolvimento social ou cognitivo. No “Integra Jovem”, elas buscam oferecer inclusão, autonomia e a regulação emocional.
Conscientização
Em 2007, a Organização das Nações Unidas (ONU) definiu o 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, adotando a cor azul para ampliar o debate sobre a inclusão de pessoas autistas. Segundo o Ministério de Saúde do Brasil, estima-se que existam cerca de dois milhões de pessoas autistas no país.
Para ampliar a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista, a reportagem conversou com as responsáveis pelo “Integra Jovem” em Itapetininga, a estudante de fonoaudiologia e estagiária Isabelle Alcântara Lobo, de 23 anos, e a terapeuta ocupacional Cássia Beatriz de Araújo Oliveira Stinguel, também de 23 anos.
À reportagem, elas explicaram que o projeto nasceu a partir de uma solicitação feita pela proprietária da clínica onde atuam. Elas pesquisaram sobre uma possível temática e se aprofundaram no atendimento de pessoas atípicas. O objetivo era que a ideia pudesse ser aplicada na clínica.
Segundo Cássia, atualmente o projeto abrange adolescentes típicos e atípicos que apresentam algum atraso no desenvolvimento ou dificuldades de interação social. “Esses grupos são divididos de acordo com as demandas ou com o nível de suporte. A terapia ocupacional está ligada diretamente com as atividades da vida diária”, explicou.

De acordo com as responsáveis pelo projeto, a clínica atende os pacientes através de um valor social | Créditos: Arquivo pessoal/Isabelle Alcântara Lobo
A avaliação dos pacientes é feita por meio de protocolos padronizados, que apontam números para que as profissionais consigam acompanhar a evolução do adolescente.
Ainda segundo Cássia, a terapia também busca a regulação emocional e integração sensorial, com o objetivo de desenvolver habilidades e atividades sociais presentes na adolescência. “Buscamos ajudá-los na regulação e compreensão dos sentimentos, das emoções e, principalmente, no desenvolvimento da autonomia e da independência, para que tenham melhor qualidade de vida quando passarem para a vida adulta”, apontou.
Apesar de desenvolverem o projeto juntas, cada uma planeja as atividades de acordo com a sua área de atuação. Realizam trocas de informações e, assim, criam discussões de novas possibilidades dentro do trabalho que está sendo realizado com cada paciente.
“Acredito que quando se ensina ao adolescente o que é o certo e o errado, como ele pode ter essa autonomia e independência para entender o que pode fazer, até onde pode ir, ele se torna uma pessoa mais capaz de lidar com situações reais do nosso mundo”, disse Cássia à reportagem.

Nesse projeto, o objetivo é desenvolver a autonomia e independência de jovens e adolescentes atípicos e típicos | Créditos: Arquivo pessoal/Isabelle Alcântara Lobo
Para a terapeuta, a importância social do “Integra Jovem” está em contribuir para que os adolescentes se tornem independentes para lidar com situações do dia a dia. Ela apontou que algumas famílias se sentem inseguras com a chegada da adolescência e a aproximação da vida adulta.
Por isso, durante os encontros, realizados em grupo, são abordados aspectos funcionais da rotina. Uma atividade corriqueira, por exemplo, como a de preparar um lanche, pode ser uma oportunidade para observar aspectos pessoais a serem trabalhados. “Cada adolescente vai nos trazer uma demanda e precisamos pensar e adaptar a atividade de acordo com cada potencialidade”, relatou Cássia.
Isabelle disse que identificou a vontade de atuar com esse público a partir de uma constatação. “Tudo é voltado para a primeira infância, principalmente quando se recebe um laudo”. Para ela, é preciso garantir a continuidade dos cuidados com o indivíduo atípico diante das transformações que vêm com a adolescência, quando surgem novas demandas. Essas transformações são significativas e podem trazer desafios também para os adolescentes típicos, daí a proposta do projeto de incluí-los. “A princípio, o atendimento seria só para adolescentes que estão dentro do espectro autista, mas, conversando, sentimos a necessidade também de trazer os adolescentes típicos, que apresentam alguma dificuldade no desenvolvimento social e cognitivo-intelectual”.
De acordo com Isabelle, o público é formado por adolescentes de dez a 17 anos. Além disso, a intenção é levar essa ação para fora da clínica e também aplicá-la em salas de aula e na rotina construída dentro da casa dos pacientes.
“O nosso intuito é capacitar, levar informação e ajudar a escola com esse adolescente, porque é desafiador para o professor”, apontou Isabelle.
Veja como participar
Os interessados em participar do “Integra Jovem” devem comparecer presencialmente na clínica, localizada na Rua Humberto José Fernando Notari, 475, no Jardim Mesquita em Itapetininga. Caso necessário, os pacientes ou familiares podem entrar em contato pelo telefone (15) 99829-5770.
À reportagem, Isabelle e Cássia explicaram que o atendimento é privado e acontece em grupo com outras pessoas, mas o espaço também busca atender os pacientes com um valor social, ou seja, uma modalidade voltada para aqueles que não conseguem pagar o preço integral da consulta.
É necessário que o público se encaixe na faixa etária e apresente laudos ou diagnósticos, caso seja atípico. Aqueles que se encaixem no perfil típico, precisam sinalizar uma queixa principal para participar do projeto.

No local, os pacientes serão atendidos por uma terapeuta ocupacional e fonoaudióloga, que acompanham o desenvolvimento e evolução | Créditos: Arquivo pessoal/Isabelle Alcântara Lobo
[Texto produzido para a disciplina Jornalismo Regional, ministrada pela professora Mônica Ribeiro]
