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9ª Marcha Trans ocupa ruas de Sorocaba em defesa de direitos e visibilidade

Inspirada pela música “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, o tema da 9° edição da Marcha Trans foi “Quem sabe faz a hora”, reforçando o caráter político de luta por direitos do evento.

Por Antony Moscatelli e Mar Carrasco (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Crédito: Antony Moscatelli

O Mês do Orgulho LGBTQIA+ foi precedido pela 9° Marcha Trans de Sorocaba, que ocorreu no dia 31 de Maio. Sediada pela Associação de Transgêneros de Sorocaba (ATS), a marcha contou com a participação de diversos artistas da comunidade, como as multiartistas Pamdora Medonha, Sirenna e Victoria Vlad’Ziller, além dos membros da Rádio Pantera, que trouxeram uma sonoridade única para o evento.

O evento começou ao meio dia, na Praça Frei Baraúna, pela segunda vez contando com a participação da Feira Colorida. Jun Lamberti, 38, figurinista e a pessoa por trás da feira, explica que a feira tem como objetivo promover o empreendedorismo LGBT, sem cobrar taxas de adesão para as bancas, de forma que os valores obtidos sejam 100% de lucro para os artistas e artesãos.

Crédito: Antony Moscatelli

“Já tem alguns anos que eu me entendo como uma pessoa não-binária, e essa é a primeira marcha trans que eu venho completamente fora do armário. A minha pessoa, como uma pessoa NB, está aqui hoje lutando pelos meus. É a primeira vez que eu estou sentindo isso.”, conta Jun, “Essa marcha sempre foi importante para mim, porque eu tenho muitas amigas e irmãs de Ballroom, que são pessoas trans, e estar nesse movimento hoje, lutando e fazendo parte também, tem outro significado, é muito importante.”

As atrações foram apresentadas por Deborah Lehroah, e contaram, além da música, com performances de dança.

Crédito: Antony Moscatelli

A marcha percorreu por volta de 3KMs, da Praça Frei Baraúna à Pista de Caminhada do Campolim, com diversas bandeiras da comunidade levantadas.

“Enquanto pessoas trans existirem, os seus direitos estão ameaçados. Essa é a provocação da marcha, porque talvez a gente tenha menos direitos, porque não estamos fazendo barulho suficiente em movimentos como esse.”, diz Maria Kali, ex-diretora da ATS. Dentre os direitos básicos cerceados para a comunidade, está o acesso à hormonioterapia, que vem sendo suspendida e reconquistada pela comunidade desde 2024.

Kali também pontua a crescente do preconceito contra a comunidade trans, que está atingindo, inclusive, pessoas cisgênero, “a gente está vivendo um conservadorismo tão absurdo e grotesco, que pessoas cis estão começando a sofrer transfobias, pessoas cis estão sendo atacadas de tão grave que esta o discurso de ódio contra pessoas trans.”

A marcha é, acima de tudo, um símbolo de resistência, como descrita por Ray Godoy, fotógrafo oficial das duas últimas edições do evento, “Apesar de Sorocaba ser uma cidade bem conservadora, promover essa marcha, com tanta gente, é realmente dizer que a gente tá vivo, que a gente sobrevive e que a gente resiste.”

@ray.g_fotografo | Crédito: Antony Moscatelli

No perfil oficial da Associação de Transgêneros de Sorocaba, a divulgação do evento reforça ainda a importância histórica da luta da comunidade, “Em um tempo em que tentam silenciar nossas existências, nós escolhemos ocupar as ruas com coragem, memória e futuro, porque quem sabe da própria história não aceita retrocesso. Quem sabe da própria força não espera autorização.”

Confira alguns registros da 9° Marcha Trans de Sorocaba:

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