Torcedores do São Bento criam museu para manter viva a história centenária do clube
Por Ana Martins, Patrick Vieira e Maria Clara Nagahara (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Museu do São Bento, localizado no Complexo Humberto Reale, em Sorocaba | Foto por Patrick Vieira
Entre troféus, fotografias e lembranças das arquibancadas, o Museu do São Bento se tornou um espaço essencial para manter vivas as memórias do clube para as futuras gerações. Localizado no Complexo Humberto Reale, no bairro Vila Hortência, em Sorocaba, o museu foi inaugurado em maio de 2026, após mais de uma década de planejamento, pesquisa e trabalho de torcedores dedicados à preservação da história do Azulão e de sua torcida.
O acervo resgata passagens marcantes do clube, fundado em 1913 por trabalhadores de uma fábrica de chapéus da cidade, reforçando a ligação profunda entre o time e Sorocaba. Entre os destaques estão os registros da Torcida Tira Prosa, uma das mais tradicionais do Azulão, criada em uma época em que o futebol era tratado como espaço exclusivamente masculino, cujas origens têm nome e sobrenome: as irmãs Ramalho.

Imagem das Irmãs Ramalho e da Torcida Tira Prosa expostas no Museu do São Bento | Foto por Maria Clara Nagahara
A ideia surgiu há cerca de 14 anos, quando torcedores criaram o Blog Vamos Subir, Bento!, ponto de convergência para quem queria preservar a história do clube, não pela política, mas pelo afeto. “O propósito sempre foi valorizar e preservar a história do São Bento, um
clube centenário”, conta Rosa Maria Ramalho, 69 anos, tesoureira e uma das fundadoras da Associação Vamos Subir, Bento!, entidade que viabilizou o projeto.
Will Alves, 41 anos, coordenador do museu, lembra que troféus ficavam guardados na secretaria do clube enquanto peças históricas se espalhavam pelas casas de torcedores, correndo risco de se perder. “Havia o desejo, mas faltava espaço, recursos financeiros e apoio técnico”, resume. A virada veio com a cessão de uma sala no Humberto Reale: campanhas de arrecadação financiaram a reforma e a Esquina 130, coletivo de museologia, garantiu o suporte técnico. “Havia um ceticismo de que o museu sairia do papel”, admite, mas o comparecimento desde a inauguração provou o contrário.
Rosa Maria é uma das cinco irmãs Ramalho que fundaram a Tira Prosa em 1975, a primeira torcida do Brasil liderada por mulheres, conforme reconhecimento do Museu do Futebol de São Paulo. “Isso em 1975, quando era proibido inclusive a prática de futebol por mulheres”, recorda. Desde a inauguração, torcedores de todas as idades visitam o espaço e muitos têm doado objetos ao acervo. “O nosso espaço tem que crescer muito para comportar tantas doações”, diz a tesoureira.
O jornalista esportivo Ubiratan Leal, cuja paixão pelo São Bento nasceu dentro de casa, herdada do pai, se emocionou ao encontrar uma foto sua no acervo durante a visita. Um dos momentos que mais o marcou foi a valorização do antigo Estádio Humberto Reale: “Ver as histórias do Humberto Reale e lembrar que o Pelé nunca venceu lá me marcou bastante”, afirmou. Para ele, o museu cumpre papel que vai além da nostalgia: “Não é o seu timinho da cidade, é um time importante, que colocou Sorocaba no Campeonato Brasileiro.” O convite que deixa é direto: “Vá de coração aberto, querendo aprender e fazer parte desse universo do São Bento.”

Imagem exposta no Museu do São Bento | Foto por Maria Clara Nagahara
O Museu do São Bento fica na Rua Coronel Nogueira Padilha, 647, no Complexo Humberto Reale, Vila Hortência, e abre aos sábados, das 10h às 16h, com entrada gratuita. O tour é guiado por membros da própria Associação Vamos Subir, Bento!, torcedores que, além de apresentar o acervo, compartilham histórias apaixonantes e marcantes até mesmo para quem não é fã de futebol.

Fachada do Complexo Humberto Reale | Foto por Patrick Vieira
