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Cobertura de guerra e jornalismo internacional são temas de palestra

Por: Kathleen Moneta (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

O jornalista Gabriel Toueg, que possui uma grande experiência na cobertura de guerras no Oriente Médio, esteve na Universidade (Uniso) para uma palestra na última sexta-feira (21). Ele compartilhou um pouco de sua experiência com os alunos do 5º semestre de Jornalismo durante a aula de Jornalismo Especializado. Entre os assuntos, o profissional falou sobre os desafios da profissão e a importância de sempre buscar olhar para os acontecimentos de fora do Brasil.

Toueg ressaltou que o trabalho do correspondente internacional exige um olhar amplo sobre o mundo e uma profunda compreensão das regiões que cobre. Ele enfatizou a importância das fontes locais, profissionais que vivem nesses países e ajudam os repórteres a investigarem o que ainda é novo. “O correspondente precisa criar relações e entender a cultura do lugar para conseguir contar a história com mais conhecimento”, afirmou.

Citando o renomado jornalista Clóvis Rossi, com quem trabalhou brevemente, Toueg reforçou a importância da perspectiva internacional: “A melhor função no jornalismo é a de correspondente, pois permite olhar o bosque inteiro, e não apenas as árvores”.

Outro tema discutido foi a história do jornalismo internacional no Brasil. Toueg contou que, no passado, a notícia levava até seis semanas para chegar ao público devido às limitações de transporte, como acontecia com o jornal “Gazeta Universal”, que foi o primeiro a abordar no Brasil as notícias de outros países. Hoje, com a tecnologia, as informações são disseminadas instantaneamente, o que traz benefícios e desafios. “A internet aproximou o jornalista dos fatos, mas, ao mesmo tempo, diminuiu sua presença nas ruas”, comentou.

Com vasta experiência na cobertura de conflitos, Toueg também abordou os riscos da profissão. Durante a palestra, ele mostrou dados recentes que mostram que metade dos jornalistas mortos em 2024 em locais de guerra foram assassinados, enquanto outra porcentagem morreu em fogo cruzado.

O jornalista também contou um pouco sobre sua trajetória profissional. Toueg entrou no jornalismo internacional por acaso, ao trabalhar em um veículo digital. Ele se interessou pela pesquisa de notícias sobre o Oriente Médio, e então decidiu viajar para Israel em 2002. “Fui parar em um Kibutz e acabei me encontrando por lá”, relatou. Mais tarde, voltou ao Brasil para concluir a faculdade, mas não demorou a retornar a Israel, onde permaneceu por sete anos.

Depois de anos atuando fora do país, Toueg decidiu voltar ao Brasil em 2011. “Foi uma decisão difícil, pois eu gostava muito de lá, mas senti que precisava retornar”, disse. No Brasil, trabalhou no Estadão escrevendo sobre notícias internacionais e, em 2017, fez sua última viagem a Israel. Atualmente, está se dedicando ao mestrado na Universidade de Sorocaba, com uma pesquisa sobre a cobertura da imprensa sobre o tráfico de crianças brasileiras para adoção ilegal no exterior, um tema que investiga desde 2012.

A palestra de Gabriel Toeug proporcionou aos estudantes um olhar profundo sobre as responsabilidades do jornalismo internacional, além de motivar aqueles que gostariam de seguir na área sobre o comprometimento de um olhar crítico e delicado ao retratar acontecimentos globais, principalmente quando se trata de guerras.

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