Mais que uma companhia: como os pets auxiliam na saúde humana
Entenda mais sobre esse vínculo emocional e seus benefícios
Por: Giullia Castro Della Déa (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Eduarda com seu gato Boris| Fonte: Arquivo pessoal
O motivo da decisão de oferecer a um animalzinho uma oportunidade para uma nova vida e um novo lar pode ser variado, sendo desde uma adoção inesperada até um sonho de criança, mas algo que, invariavelmente, vem junto dessa decisão são os benefícios para a saúde humana promovidos por esses companheiros.
Uma pesquisa realizada em 2023, por Beatriz Ribeiro Gaspar, na Universidade de São Paulo (USP), aborda como a relação entre humanos e animais se transformou em uma ferramenta de saúde. O estudo de Beatriz aponta que essa interação reduz os níveis de cortisol (também conhecido como o hormônio do estresse) e libera ocitocina (o hormônio do amor), promovendo uma sensação de bem-estar. Também foi observado que os tutores de pets apresentam menor pressão arterial e níveis reduzidos de colesterol, fatores que diminuem o risco de doenças cardiovasculares, aumentando a longevidade do indivíduo.
Além do convívio doméstico, a pesquisa de Beatriz Gaspar destaca as Intervenções Assistidas por Animais (IAA), que são práticas utilizadas em contextos terapêuticos, hospitalares e educacionais. Os animais são integrados a tratamentos hospitalares e fisioterapêuticos, acelerando a recuperação de pacientes e tornando o ambiente hospitalar menos hostil, isso em um contexto de animais que são treinados com essa finalidade. Apesar dos benefícios, é importante ressaltar que o pet não é como uma cura milagrosa, mas sim como um fator de influência, não substituindo tratamentos médicos convencionais. Seus efeitos positivos também dependem de uma posse responsável, afinal, o comportamento do pet é como um reflexo de sua qualidade de vida, ele consegue ajudar se também estiver saudável e com suas necessidades atendidas.
O vínculo emocional criado através de história e convivência é capaz de trazer mais brilho para a vida das pessoas. A estudante de psicologia Maria Eduarda, de 19 anos, compartilha sua experiência com seus dois gatos cinzas, Xico e Boris. Segundo Eduarda, o início de sua história com seus companheiros aconteceu de forma inesperada, em que ambos, após nascerem, não tinham para onde ir, sendo assim, acolhidos pelo pai da estudante, quando ela estava no terceiro ano do colegial. Atualmente os gatinhos completam seus três anos.
Revisitando as memórias, Eduarda fala sobre uma lembrança especial envolvendo uma relação de saúde e bem-estar: “Teve um dia que eu cheguei muito estressada em casa, sabe quando você só quer chorar? Eu estava sentindo isso, até que sentei na minha cama para extravasar e o Xico sentou no meu colo, sentindo e me acolhendo de certa forma.” Eduarda completa aos risos, “pareceu como um filme da Disney, rolou toda uma conexão ali”. A estudante concluiu falando também como seus gatos influenciam em sua vida, trazendo mais felicidade e até uma sensação de conviver com “colegas de quarto”, devido aos animais também terem sua própria rotina e hábitos, acontecendo uma espécie de compartilhamento de manias entre ela e os gatinhos.

Eduarda com seu gato Xico| Fonte: Arquivo pessoal
Esse vínculo não se limita apenas a animais de pequeno porte, Camila Vieira Rocha, estudante de publicidade, de 20 anos, traz sua história especial com seu cavalo, Scott Winnin, de 15 anos, que chegou em sua vida aos oito anos, no dia 15 de janeiro. “Eu tinha muito medo de galopar com o cavalo por conta de um acidente que havia sofrido quando criança, ele foi o primeiro cavalo que galopei novamente, depois disso, comecei a competir no esporte dos meus sonhos com ele. Também competi por três anos em um campeonato, nunca peguei 1º lugar, já fiquei no pódio, mas nunca em primeiro, na última prova que foi realizada neste lugar, dei tudo de mim, ele sentiu isso e deu tudo de si também, o resultado foi que realizamos meu sonho e, finalmente, ficamos em primeiro lugar.”
A estudante afirma que se sente com a mente mais tranquila quando está com seu cavalo, além disso, a relação de amor que foi criada também vem acompanhada especialmente de cuidado. Camila diz que chegou a parar de competir para priorizar a saúde de Scott. “O Scott é o amor da minha vida, ele sempre virá em primeiro lugar, por isso abandonei o esporte por um tempo, pois estava influenciando na saúde dele.” Nesse contexto de competições, a estudante aborda cuidados importantes.“Para quem quer começar um esporte, irei citar meu exemplo, fiz três tambores por cinco anos, é um esporte que mexe muito com a mente do competidor e do animal, por isso é muito importante que você lembre que você está lidando com uma vida, não com uma máquina, jamais culpe o animal por qualquer erro que aconteça, pelo contrário, busque sempre entender o que está acontecendo com ele”.

Camila após ganhar o primeiro lugar com seu cavalo Scott Winnin, em outubro de 2022 | Fonte: Arquivo pessoal
Como conselho final, a estudante traz atenção ao falar sobre a importância de uma boa relação com seu animal e de consistência. “Saiba que é como um filho, não dá pra cansar e abandonar, animais precisam de cuidado e, principalmente, tempo de qualidade com seus donos.”
Ao observar um pouco das esferas que os animais trazem para a vida humana, enxerga-se que além de benefícios na saúde física e psicológica, eles também impactam nas rotinas, histórias e sentimentos de pessoas, afinal, a relação entre seres humanos e animais traz também um grande aprendizado sobre compaixão.
[Texto desenvolvido na disciplina de Jornalismo especializado, ministrada pela professora Georgia de Mattos]
