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Reconhecimento da ONU reforça vocação sustentável de Sorocaba e avanço da pesquisa científica na cidade

Eleita pela ONU a primeira cidade sustentável do Estado de São Paulo, Sorocaba reúne universidades, centros de pesquisa e profissionais que impulsionam estudos ligados à inovação e segurança energética

Por Clara Abrami (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Município de Sorocaba é reconhecido pela ONU entre as cidades mais sustentáveis do Brasil | Divulgação: Prefeitura de Sorocaba

Sorocaba foi reconhecida em 2025 como a primeira cidade do Estado de São Paulo e a terceira do Brasil no ranking do Programa Cidades Sustentáveis (PCS) da Organização das Nações Unidas (ONU), se destacando entre os municípios brasileiros com população entre 501 mil e um milhão de habitantes. O município também vem fortalecendo seu cenário científico e tecnológico com pesquisas desenvolvidas na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS).

O ranking do PCS leva em consideração indicadores ligados à Agenda 2030 da ONU, avaliando áreas como Educação de Qualidade, Energia Acessível e Limpa, Indústria, Inovação e Infraestrutura, além de políticas públicas voltadas à sustentabilidade urbana e qualidade de vida.

Plano de ação global adotado pelas Nações Unidas em 2015, assinado por 193 países (incluindo o Brasil), com o objetivo de erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente e garantir paz e prosperidade para todos até 2030 | Reprodução: ONU

Na categoria de cidades entre 501 mil e um milhão de habitantes, Sorocaba ficou atrás apenas de Londrina e Florianópolis, superando municípios como Santo André, João Pessoa, Cuiabá, Natal e Maceió.

Além dos indicadores urbanos, o município também vem ampliando seu ecossistema de inovação com a participação de universidades, centros de pesquisa, formação técnica e setor industrial.

Inovação e pesquisa

Entre os profissionais que fazem parte desse cenário está a pesquisadora e professora de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) em Sorocaba, Juliana Mendes, 31 anos.

Mendes desenvolve estudos voltados à segurança de materiais utilizados em sistemas energéticos e, atualmente, realiza mestrado no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), em parceria com o Centro Industrial Nuclear de ARAMAR (CINA), com pesquisas focadas no comportamento de materiais.

Os estudos têm foco na segurança e no desempenho de estruturas ao longo do tempo, buscando compreender possíveis processos de degradação e alterações estruturais que possam impactar a operação desses sistemas.

Protótipos e estruturas ligados ao desenvolvimento de tecnologia nuclear apresentados pela Marinha do Brasil, área em que atua o Centro Industrial Nuclear de ARAMAR (CINA), em Iperó (RMS) | Reprodução: Defesa Aérea & Naval

“A sustentabilidade não está ligada apenas à preservação ambiental, mas também ao desenvolvimento de tecnologias mais limpas, eficientes e seguras, e a ciência é o caminho para isso”, explica.

Segundo a professora, o avanço científico tem papel direto no desenvolvimento sustentável das cidades, especialmente em regiões com forte presença industrial e tecnológica, como Sorocaba.

Ela também explica que os estudos ligados ao comportamento de materiais em sistemas energéticos ajudam a aumentar a confiabilidade e a eficiência desses processos, impactando diretamente setores essenciais para a sociedade.

“Quando estudamos materiais utilizados em sistemas energéticos, estamos buscando garantir que eles resistam a condições extremas sem falhas. Isso contribui para uma produção energética mais segura, eficiente e sustentável”, afirma.

Energia Nuclear

Entre os temas relacionados à atuação da pesquisadora, está a geração de energia nuclear, considerada uma alternativa de baixa emissão de carbono. De acordo com a pesquisadora, a produção energética ocorre por meio da quebra do urânio, processo responsável pela geração de calor utilizado para movimentar turbinas que produzem eletricidade.

Mendes conta que uma das principais vantagens da energia nuclear é a capacidade de produzir grandes quantidades de energia com baixa emissão de dióxido de carbono (CO₂) durante a operação, característica que coloca essa fonte entre as alternativas discutidas no cenário da transição energética e da redução dos impactos ambientais causados pelos combustíveis fósseis.

“Pequenas quantidades de combustível conseguem gerar muita energia, com baixa emissão de dióxido de carbono durante a operação. Por isso, a energia nuclear aparece como uma alternativa importante dentro das discussões sobre sustentabilidade e segurança energética”, afirma.

A pesquisadora destaca ainda que existem monitoramentos ambientais constantes relacionados à preservação da fauna e da flora em áreas ligadas ao desenvolvimento tecnológico e energético.

A pesquisadora tem formação técnica em Mecatrônica, Eletrotécnica e Administração, além de graduação em Tecnologia em Automação Industrial e licenciatura em Física | Créditos: Arquivo pessoal

O protagonismo das universidades

Na visão de Mendes, cidades como Sorocaba possuem papel estratégico diante dos desafios da transição energética por concentrarem universidades, centros de formação técnica e desenvolvimento industrial.

“A aproximação entre pesquisa, educação e indústria é essencial para acompanhar as demandas futuras”, destaca.

A profissional também observa um aumento do interesse de jovens pelas áreas ligadas à ciência, tecnologia e sustentabilidade, principalmente em setores voltados à inovação. Segundo ela, iniciativas como eventos científicos, projetos universitários e ações de divulgação da ciência ajudam a aproximar os estudantes dessas áreas e mostram como a tecnologia pode gerar impactos positivos na sociedade.

Ela destaca ainda que o fortalecimento da ciência vai além dos avanços tecnológicos e contribui diretamente para o desenvolvimento regional.

“Questões relacionadas à energia, indústria e sustentabilidade dependem diretamente de pesquisa e inovação. A ciência fornece soluções baseadas em dados e evidências”, afirma.

Parque tecnológico e eventos científicos

O ecossistema de inovação de Sorocaba não se limita às universidades e centros de pesquisa. A cidade também vem estruturando espaços físicos e iniciativas que aproximam ciência, indústria e poder público, movimento que complementa diretamente o perfil sustentável reconhecido pela ONU.

ODS 9: desenvolver infraestrutura de qualidade, confiável, sustentável e resiliente, incluindo infraestrutura regional e transfronteiriça | Reprodução: ONU

Um dos principais polos desse movimento é o Parque Tecnológico de Sorocaba. O espaço busca transformar conhecimento em desenvolvimento econômico e tecnológico.

O parque também foi estruturado para atrair empresas intensivas em tecnologia, além de oferecer suporte técnico e ambientes voltados à inovação, como o Centro de Excelência em Tecnologia 4.0, reforçando a aproximação entre pesquisa, educação e indústria que a pesquisadora aponta como essencial para enfrentar os desafios da transição energética.

O Parque Tecnológico de Sorocaba reúne interesses voltados ao desenvolvimento de tecnologia, inovação e sustentabilidade na região | Divulgação: Parque Tecnológico de Sorocaba

Esse ambiente propício à inovação aplicada também se reflete nos eventos que a cidade sedia. Nos dias 7 e 8 de julho de 2026, o Parque Tecnológico receberá a segunda edição do TechCity Summit 2026, encontro que reunirá empresas, universidades, especialistas, representantes do poder público e sociedade para discutir soluções ligadas à tecnologia, sustentabilidade, mobilidade urbana e desenvolvimento das cidades, alinhado diretamente aos indicadores que colocaram Sorocaba como a 1ª cidade sustentável do Estado de São Paulo e a 3ª do Brasil no ranking do PCS.

Segundo o site da organização, a proposta é aproximar inovação, impacto urbano e desenvolvimento sustentável, promovendo debates sobre soluções capazes de melhorar a qualidade de vida nas cidades e enfrentar desafios ligados ao crescimento urbano e às mudanças climáticas.

[Texto produzido para a disciplina Jornalismo Regional, ministrada pela professora Mônica Ribeiro]

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