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Entre fatos e narrativas: A Ilusão de estar informado 

Em um cenário dominado pela pós-verdade, o excesso de conteúdo e os algoritmos das redes sociais ampliam bolhas e confundem o que é informação de fato.

Por Grazielle Tainara Da Silva, Nathalia Moreira Gussom, Paula Vitoria Dos Santos e Yasmin De Campos (Agência Focas – Jornalismo Uniso)

Crédito: Freepik, DC Studio 

Atualmente, vivemos cercados por conteúdos, mas quantidade não significa qualidade. A dificuldade em distinguir o que é informação do que é apenas material que distrai ou busca audiência alimenta a desinformação e enfraquece o pensamento crítico. Esse ambiente abre espaço para a pós-verdade, na qual o que se acredita passa a importar mais do que o que é comprovado, influenciando diretamente a forma como as pessoas julgam as histórias que consomem.  

A fim de compreender melhor esse fenômeno, os estudiosos Carl Hovland e Harold Lasswell desenvolveram a Teoria da Persuasão. A teoria explica que os seres humanos não absorvem as informações de forma automática, pois existe uma espécie de filtro psicológico durante o processo comunicacional, representado pela seguinte relação: 

E → FP → R 

(Estímulo → Fatores Psicológicos → Resposta) 

Dessa forma, antes de ser assimilada pelo receptor, a mensagem sofre interferências, perdas e alterações. Como consequência, a informação pode chegar à0s pessoas com efeitos diferentes dos inicialmente pretendidos, criando ruídos perigosos na comunicação e afetando diretamente a maneira como a sociedade acompanha notícias e consome conteúdos.  

O professor e coordenador do curso de Filosofia da Universidade de Sorocaba (Uniso), Vidal Dias da Motta Junior, em entrevista, explicou o chamado fenômeno da pós-verdade: “Estamos vivendo uma realidade muito preocupante, que afeta toda a sociedade. Uma parcela das pessoas passa a basear suas decisões em convicções, e não em fatos, evidências ou o conhecimento científico — ou seja, ‘acredito, logo é verdade’. Opiniões passam a orientar decisões, mas nem sempre correspondem à verdade”. 

Nesse contexto, as pessoas tendem a absorver apenas aquilo que consideram relevante para suas próprias crenças, deixando de lado o aprofundamento nos fatos. Esse comportamento está diretamente ligado às chamadas “bolhas”, ambientes digitais em que os usuários consomem conteúdos semelhantes às suas opiniões e interesses. 

 Atualmente, vivemos cercados por essas bolhas informacionais, muitas vezes compostas por conteúdos superficiais, a professora de Teorias da Comunicação, Georgia de Mattos, explica que na sociedade atual, há uma falta de aprofundamento em temas relevantes, com isso, o fácil acesso à informação não garante compreensão: “Existe uma enxurrada de informações quando abrimos o celular, o que facilita um consumo superficial sobre diversos assuntos. Isso não significa que a gente conheça ou compreenda de fato. Muitas vezes, acompanhamos apenas os títulos ou temas do momento, sem nos aprofundar. O conteúdo exige interesse e busca ativa, ele não chega pronto como a informação.” 

Uma pesquisa autoral realizada nos arredores de Sorocaba, reforça esse cenário:

Entre os temas mais consumidos, o entretenimento lidera com 70,1%, seguido por política (47,7%) e saúde (46,7%). O levantamento também mostra que, embora a maioria dos participantes afirme verificar a veracidade das informações, o consumo ainda é predominantemente superficial — especialmente entre adolescentes, que concentram seu acesso nas redes sociais e priorizam conteúdos de entretenimento. Nesse contexto, entende-se que o impacto das redes sociais nesse processo é significativo. 

Para compreender melhor o papel das redes sociais e dos formadores de opinião nesse cenário, a professora de Relações Públicas Mércia Segala Bruns destaca que a informação só se torna conteúdo quando cumpre uma função social relevante: “A informação vira conteúdo quando é utilizada de forma adequada para orientar, esclarecer e contribuir para a compreensão da sociedade. Independentemente do formato — texto, áudio ou vídeo —, ela precisa ter utilidade, não ser manipulada e agregar valor em termos de conhecimento.” 

Nesse contexto, influenciadores digitais também passam a desempenhar um papel importante na formação de pensamento crítico. Criadores como  Laila Zaid (promove saúde e sustentabilidade); Felca (usou da sua influência para destacar o tema de adultização de crianças em redes sociais); Martina Giovanetti (traduz a geopolítica de forma que todos possam entender); Tukumã Pataxó (defensor de causas indígenas); Nath Finanças (focada em educação financeira); Chavoso da USP (traz o debate sobre periferia, educação superior e desigualdade social sob uma perspectiva periférica); Rita Von Hunty (dragqueen e professor), utilizam suas plataformas para traduzir temas complexos, promover debates e ampliar o acesso à informação de qualidade, contribuindo para a construção de uma audiência mais consciente.

Para assistir as entrevistas completas, acesse o link:

https://drive.google.com/file/d/1V4SQj5HkErV2s-Q2M3gtu1_TJzLqNTUL/view?usp=sharing 

Para ver os gráficos, acesse o link:

https://drive.google.com/drive/folders/16VEYP35vEq6KxO1JQN7R99ymi5L9ehJm?usp=sharing

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