ColunaFocando em

Qual a sensação de estar entre os grandes?

Para mim foi sensacional!

Rafa, estou com um projeto legal, você me ajuda a divulgar?

Claro Lu!

Então venha em casa para eu te mostrar.

Irei.

Muito obrigado, que Pai Ogum o abençoe, Asè.

Para mim seria mais um encontro com minha amiga a Babalorixá Maria de Lourdes Moraes, mais conhecida como Lourdes Liéje, mas foi muito além disso, me deparei com uma obra digna da reverência e homenagem que nosso povo preto merece.

Antes mesmo de começar a assistir o curta-metragem documental, quando reconheci o ambiente que foi palco das gravações, já tive a certeza do sucesso que seria: a Capela de Nhô João de Camargo.

Abayomi’n – Saberes e Sabores Ancestrais – Eparrei!” (disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=65aJTcQIZ9M)  é uma produção da Companhia de danças afros Abayomi’n idealizado por Lourdes Lieje, com roteiro e direção de Reinaldo Lima, que busca resgatar a memória viva da ancestralidade como um ato de resistência e fé.

“Uma celebração dos saberes e sabores que formam a nossa história”, assim o filme é definido em seu material de divulgação. Narrado por Lourdes, a obra revela o passo a passo do preparo do Acará, comida utilizada como oferenda a Orixá Oyá/Iansã, e que deu origem ao Acarajé — um dos principais pratos da culinária baiana — e que se tornou patrimônio cultural do Brasil.

Em tempos de “gourmetização” e “apropriação cultural” das comidas relacionadas a cultura africana, creio que o filme tenha vindo em hora extremamente oportuna, provando que cada receita tradicional é um elo de sobrevivência e transmissão cultural.

“A obra mergulha na cozinha ancestral, onde a dança de Oyá, embalada pelos atabaques, e o alimento se unem em celebração. Mais do que um documentário, é um convite à transformação e ao respeito, lembrando que a culinária ancestral alimenta a alma e que é na simplicidade do prato que reside a força do nosso povo”, cito novamente o material de divulgação, para não deixar escapar nada, pois a emoção (e os arrepios) pode ter influenciado meu olhar de observador. A dança é executada de maneira magistral pela bailarina e filha de Lourdes, Jéssika Moraes. Ah, como é bom ver mulheres pretas, descendentes da mesma família dominando o protagonismo.

Pois bem.

Com o apoio do professor e coordenador do curso de História da Uniso, Walter Cruz Swensson Júnior, adicionamos a exibição do filme — e uma roda de conversa sobre a temática em seguida — entre as atividades da semana em alusão ao Mês da Consciência Negra, realizada pelo referido curso em 2025. Lembrando que não podemos utilizar o termo “semana”, para não reduzirmos os esforços do mês em sete dias, como bem me ensinou meu amigo e mestre José Marcos de Oliveira.

Passado isso, no mês de março de 2026 recebo um novo contato de Lourdes.

Rafa, eu juntamente com o Vereador Raul Marcelo (Psol) iremos fazer uma homenagem na Câmara dos Vereadores, para todas as pessoas que ajudaram no projeto, e você é uma delas!

Pensei: “meu Deus, nem sei se tenho roupa para isso”.

Ao chegar na Câmara, todo envergonhado por nunca ter recebido uma homenagem lá, começo a visualizar diversas figuras negras da cidade, muitas delas minhas inspirações e que faço questão de citar, baseado na lista publicada em matéria da instituição (clique aqui):

Adilson de Mattos, jornalista independente; Adriano R. Molina, dirigente da Capela João de Camargo; Andreia Nunes, fotógrafa independente; Ariani Teodoro, escritora e mediadora literária; Benedita Galvão, guarda municipal; Benedita Tozzi de Moura, técnica de enfermagem e empresária; Bruna Julian, coordenadora do Baque Mulher Sorocaba; Danilo Pastura, coordenador do Maracatu Terra Rasgada; Davi Deamatis, jornalista; Elaine Machado, do Coletivo Denbwa Psicólogos; Eleguem Roberta Moraes, profissional de recursos humanos com atuação em atendimento humanizado; Eron Pereira, capoeirista e integrante da Abayomi’n Produções Saberes e Sabores Ancestrais; Evandro Ayres, chefe de cozinha de afro gastronomia e do Instituto Abayomi’n; Fabio Rossy, diretor cultural do Smetal e do Coletivo Samba de Sorocaba; Fábio Rogério, jornalista e fotógrafo; Felipe Mariano, videomaker; Fellipe Carolino, do Jovens de Ásé Sorocaba; Fernanda Aparecida de Oliveira, psicóloga independente e do Coletivo Denbwa; Flavinho Batucada, do Coletivo Samba; Jessika Moraes, da Abayomi’n Produções; José Marcos de Oliveira, assistente social do Instituto Abayomi’n e do Observatório PIR Sorocaba; Juliana Borges, atuante em projetos sociais de habitação na Hublar; Kaiky Alves dos Santos, da Liga Acadêmica Negra da UFSCar Sorocaba; Ligia Marta Domingos, empresária da moda afro; Lucimara Rocha, professora e empresária; Mãe Luciana Mello, produtora cultural de axé; Maria de Lourdes Moraes, conhecida como Lourdes Liéje, da Abayomi’n Saberes e Sabores Ancestrais; Marilda Corrêa, professora e empresária; Murilo Santos, do Instituto Abayomi’n; Pai Adriano Mello, da Curimba Pena Verde; Rafael Filho, jornalista da Uniso Sorocaba; Regina Cardoso, enfermeira e ativista da saúde da população negra; Reinaldo Lima, da Criar Produções e do Instituto Abayomi’n; Sandra Mara, atuante em serviços de saúde e cultura; Thaina Rossati, do Maracatu Terra Rasgada; e Tom Dias, jornalista da TV TEM.

Confesso que ainda estou absorvendo o fato de dias atrás eu estar na plateia assistindo, aprendendo e aplaudindo meus mestres e hoje dividir o palco ao lado deles.

Apesar das responsabilidades que só aumentarão daqui para a frente, é muito bom poder caminhar ao lado dos grandes, principalmente das minhas irmãs e irmãos pretas e pretos.

Aprendo cada vez mais a filosofia africana Ubuntu na prática: “eu sou porque nós somos“.

Axé.

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